Parte do coletivo Soylocoporti

entre micro e macro, os meios

segunda-feira, 1 de abril de 2013

1º de abril

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Hoje temos um Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, outro Blairo Maggi na de Meio Ambiente, além de um Renan Calheiros na Presidência do Senado. Outrora pensadas enquanto espaços do povo, as Casas de Lei têm contradições que são apenas reflexos de fatos sociais mais amplos e expõem a perda de conexão com a realidade do cidadão. Isso sem pensar em quem temos no Governo do Estado do Paraná e na triste Câmara Municipal de Curitiba…

Hoje tramita em regime de urgência um projeto de lei que visa transformar em criminosos os usuários de substâncias arbitrariamente categorizadas como drogas (a exemplo da maconha, que a ciência e a história demonstram ser menos nociva do que o café ou o açúcar), o que leva à escola do crime conhecida como prisão toda uma camada da sociedade que se sente no direito de fazer o que bem quiser com o corpo que lhe pertence – em especial aqueles dessa camada que estão na camada periférica, sem acesso ao Estado de Direito, já que o critério para determinar quem é usuário ou traficante fica nas mãos do policial militar durante a abordagem.

Hoje o ensino religioso é praxe na maioria das escolas neste país e tem deputado eleito defendendo que é Satanás quem está no poder. Tem o processo (neo)liberal tomando conta de serviços essenciais à sociedade e transformando em super lucro o que deveria ser bem público e garantia do Estado à população. Hoje, a Internet não tem uma Constituição (Marco Civil) que estabeleça direitos individuais e restrições ao poder das empresas que estruturam a rede e, mesmo assim, já tramitam projetos de censura e controle.

Hoje o modelo de sucesso é ter o mesmo padrão de aparência que os demais homo sapiens de uma determinada estratificação social e consumir tudo o que a mídia e os demais arautos dessa corporatocracia determinam que você deve consumir – porque se você quiser aliviar o seu padrão de consumo você é um otário. Pensar em redução de danos é bobagem: o mundo vai acabar e a recompensa está no paraíso, então o certo é cagar com o planeta e as pessoas porque as empresas precisam de lucro e são perseguidas pelos movimentos sociais – assim como os neopentecostais são perseguidos pela ditadura gay.

Hoje é mais importante prejudicar o “inimigo” do que negociar consensos pela via diplomática com os irmãos. É mais jogo garantir uma quentinha ao lado do predador do que combatê-lo. É mais esperto ser apático e achar que tudo sempre foi assim e sempre será do que tirar a bunda da cadeira e a mente do Facebook ou da TV e se organizar por direitos. É mais fácil falar em corrupção do que em estratégia de poder e sociedade. É muito mais prático não entender merda alguma sobre porra nenhuma do que se preocupar em fazer com que sua passagem pelo mundo não seja enquanto mero consumidor-produto e sim como agente de mudança, nem que seja na mais pontual esfera da micro política do dia-a-dia.

A piada não está no dia de hoje. Está em todos os quais essa lógica é replicada. Hoje, só fica um pouco mais difícil perceber onde está a mentira e em cima de quem é a piada.

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